QUELUZ DE MINAS

 

 “Tal como o passado não é a história, mas o seu objeto, também a memória não é a história, mas um dos seus objetos e, simultaneamente, um nível elementar de elaboração histórica.”

(Jaques Le Goff)

 

A Vila Romeu Guimarães

 

Histórico

 

Localização: Terreno urbano.

Documento: Escritura de Divisão  01 de março 1958

 

A Vila Romeu Guimarães, situada hoje no Bairro Queluz, foi construída em terreno de herança de minha avó Adélia Izabel de Almeida.

Vovó Adélia nasceu em 20/02/1882 e veio a falecer aos 56 anos de idade em 13 de janeiro de 1939.

Adélia foi a 12* filha do Casal José Albino de Almeida Cyrino (Primeiro Presidente da Câmara Municipal de Queluz) com Izabel Cândida ( sua primeira esposa).

O Coronel José Albino de Almeida Cyrino nasceu na cidade de Queluz, no dia 19 de março de 1836 e faleceu no dia 10 de novembro de 1902, deixando terrenos para os seus inúmeros filhos.

Ficando órfão de pai aos 12 anos de idade, "assumindo corajosamente, com o seu irmão mais velho, Pedro, as responsabilidades da casa, para sustentar a sua mãe e os seus irmãos menores (...)

Assim, à força de muito trabalho e economia, conseguiu um pequeno capital com que iniciou a sua carreira de comércio. Deus abençoou o seu trabalho honesto e o seu esforço, tornando-se, anos depois, o mais forte comerciante da cidade, com grande movimento de negócios. (...)

Com o auxílio de Izabel, senhora trabalhadora e econômica, os seus bens foram aumentando progressivamente até que passam a pertencer-lhe todos os terrenos da capela de São João, Pinheiros, até perto do Barroso e daí aos Moinhos, além dos terrenos da Casa Branca, Canavial e Água Preta, com muitos alqueires. 

Nesses terrenos, devidamente aproveitados, prosperavam a lavoura de cereais e criação de animais, que lhes proporcionavam anualmente, um número regular de produção para a venda.

Ao mesmo tempo, adquiria e construía casas na cidade, como o prédio do Hotel Meridional, bem como um grande armazém que existia no terreno fronteiro ao Hotel, destinado ao depósito de cargas que recebia em consignação e remetia para as localidades não servidas pela estrada de ferro.

As populações pobres dos arredores tiveram no coronel José Albino, um verdadeiro benemérito. Elas plantavam em suas terras, criavam em seus campos, retiravam lenha em seus matos. Qualquer pessoa, por mais humilde que fosse, tinha sempre um crédito aberto em sua casa de comércio, cujos livros mostravam tudo isso.

No ano de 1886 fez ele doação de uma área de terrenos para construção de um cemitério municipal, que até aquela época não existia na cidade.

Os sepultamentos eram feitos sob o assoalho da Igreja e no adro, ao redor dela.

O ano de 1887 foi profundamente triste para o Cel. José Albino. A 6 de janeiro, falecia , quase repentinamente, seu filho Adolfo, rapaz de 21 anos, trabalhador, seu auxiliar nos serviços do comércio e da lavoura. A 10 de setembro, quando se achava em Congonhas, assistindo as festas de Jubileu, falecia repentinamente, sua esposa D. Izabel Cândida de Souza. Em curto espaço de tempo, sofreu dois golpes que feriram intensamente o seu coração de bom pai e bom esposo.

Homem de espírito forte e resignado, continuou, entretanto, o seu labor insano para criar e educar os filhos, então órfãos de mãe, alguns ainda em tenra idade (...)

Em 19 de julho de 1890, o Cel. José Albino contraiu segundas núpcias com D. Emília Augusta Baêta, senhora dedicada ao lar e que muito ajudou na criação e educação dos filhos menores, mantendo com os seus enteados, durante toda sua existência, relação de mútua amizade.

Como bom cidadão não escapou às boas contigências da política, filiando-se ao Partido Liberal, de que era um dos mais prestigiosos elementos do município.

Tomou parte em renhidos pleitos eleitorais, tendo sido presidente na penúltima Câmara Municipal de Queluz (1872), que funcionou sob o regime imperial, e cujo mandato terminou em janeiro de 1887.

Em 17 de junho de 1890, já sob o regime republicano, foi nomeado por ato do governador do Estado, para integrar a Intendência Municipal, nova denominação da entidade administrativa, composta de seis membros, e que substituiu a Câmara, terminando o mandato no dia 7 de março de 1892, quando se empossou a nova Câmara eleita a 30 de janeiro do mesmo ano.

Com a queda do Partido Liberal, afastou-se das lutas partidárias por alguns anos, só voltando a elas em 1900, como candidato a vereador geral.

Nessa ocasião, deu-se a dualidade da Câmara, no município, sendo ele, pelo volume da votação, reconhecido pelas duas correntes adversas(...)

Em dezembro de 1911, a Câmara Municipal, em homenagem ao coronel José Albino, deu o seu nome a uma das ruas da cidade, e recentemente, ao ensejo do centenário do cemitério, colocou naquele local uma placa comemorativa, lembrando-o como seu doador e benfeitor.

Concluindo, pode-se dizer que o coronel José Albino de Almeida Cyrino, popularmente chamado por “Coronel Zéca Albino”, foi extraordinária figura do cenário político, social e comercial de Queluz(...)

O coronel José Albino faleceu na cidade de Queluz, no dia 10 de novembro de 1902, aos 66 anos de idade."

 

Também, em sua homenagem, a cidade de Conselheiro Lafaiete conta com um Bairro chamado Albinópolis.