QUELUZ DE MINAS

 

 “Tal como o passado não é a história, mas o seu objeto, também a memória não é a história, mas um dos seus objetos e, simultaneamente, um nível elementar de elaboração histórica.”

(Jaques Le Goff)

 

Reprodução proibida

Foto/Presente -" Juarez Guimarães Dias -

Juarez é neto de Adelmôr de Almeida Guimarães e sobrinho neto de Fúlvio A. Guimarães

Enviou  gentilmente essas fotos para a alegria de meu pai, anda em vida!

Gratidão

Fonte: Internet - You Tube -

Site sobre turismo em Portugal

 

ORIGEM DO NOME DA REAL VILA DE QUELUZ:

PALÁCIO NACIONAL DE QUELUZ

Trecho do Livro Romeu Guimarães de Albuquerque e Queluz de Minas - Fúlvio de A. Guimarães - Página 97

 

“...Antônio Caldeira Pires, um estudioso profundo do Palácio Real de Queluz e de todas as outras residências reais, há anos, em agosto de 1920, residindo temporariamente em Queluz, como geralmente sucede às pessoas que ali vão passar a estação calmosa, passava horas nas salas e jardins do palácio.

Em igual época estava eu temporariamente em Sintra, encontrando-nos por vezes nos comboios.

Nos momentos disponíveis estudava eu o Palácio da Vila, de forma que as nossas conversas recaíam sempre ora sobre o Palácio de Queluz, ora sobre o Palácio de Sintra.

Caldeira Pires, completamente novo em investigações, queria uma orientação para estudar o referido Palácio.

Desanimou por vezes, mas, cabe-me essa satisfação, tanto insisti e por tal forma o animei que, devagar a principio e com uma rapidez vertiginosa depois, Antônio Caldeira Pires por tal forma colheu elementos, que produziu a obra, a importantíssima obra História do Palácio Nacional de Queluz, que agora aparece preenchendo uma extraordinária falta.

A soma de materiais que consultou, e os elementos que obteve, constituem um belo repositório, que com certeza servirá de base a inúmeros estudos, romances, novelas, etc.

Antônio Caldeira Pires, tenciona felizmente estudar as outras residências reais, para o que já tem inúmeros elementos que tem encontrado nas suas investigações sobre o Palácio de Queluz.

Vi, que com os elementos colhidos poderia Antônio Caldeira Pires fazer uma grande obra,  apesar do desânimo o afligir constantemente.

Para lhe dar a coragem e ânimo preciso, lembrei na Associação dos Arqueólogos Portugueses, que se desse um passeio de estudo a Queluz, o que a mesma instituição acedeu, com a condição de eu fazer uma comunicação nessa visita.

Era hábito na Associação dos Arqueólogos, aproveitar o dia 10 de junho, feriado em Lisboa, por ser o dia da morte de Luís de Camões, para em passeio de estudo, ir a qualquer ponto do país.

Nestes passeios há sempre um conferente, pelo que sendo eu o autor da proposta do passeio a Queluz, me encarregaram de descrever o Palácio.

Antônio Caldeira Pires rejubilou com esta idéia a forneceu-me elementos com os quais ffiz uma comunicação no Museu do Carmo em 5 de junho de 1921, comunicação preparatória para o passeio.

Com o título Queluz - Vila do Príncipe da Beira, publiquei no IX volume da História e Genealogia esta comunicação.

De facto em 10 de junho de 1921, sócios da Associação dos Arqueólogos com suas famílias e pessoas das suas relações, estiveram em Queluz, vivendo umas horas de extraordinárias recordações e alguns momentos de desânimo, por verifficarem, que infelizmente não há amor, nem o cuidado que merecia tão interessante relíquia histórica.

Alguns factos alí presenciados animaram-me a escrever uma carta, que o Diário de Notícias de 13 seguinte publicou, e que motivou uma réplica dum professor da Escola Agrícola, que se encontra instalada em dependências do Palácio referido. Esta réplica foi publicada nos jornais Diário de Noticias de 16 do mesmo mês de junho de 1921 e A Pátria de 19 seguinte.

Neste mesmo dia, 19, escreveu uma carta ao director do jornal “A Pátria”, que teve a amabilidade de publicar em 22, e que com o título “Ainda sôbre Queluz – Legítima Defeza”, inclui no IX volume da História e Genealogia.

O relato de todos estes factos e ainda da comunicação que ffiz quando da visita referida ao Palácio e Jardins em questão, foi por mim descrito em 25 do mesmo mês em Assembléia Geral da mesma instituição scientíffica e publicado no IX volume da História e Genealogia com o título “Queluz em 10 de Junho de 1921 – Visita da Associação dos Arqueólogos Portugueses”.

Tudo isto constituiu um grande estímulo para Antônio Caldeira Pires, que chegou a convidar-me para que fizéssemos de sociedade o estudo com que êle agora enriquece a história de Portugal, o que não aceitei por ter a absoluta certeza de que o meu concurso não tinha a menor importância ao pé dos elementos pacientemente colhidos e analisados por Antônio Caldeira Pires.

Concorri para esta grande obra apenas com estímulo e entusiasmo.                                        

Caldeira Pires não tendo conseguido que o meu nome ffigurasse ao lado do seu na capa desta obra, instou comigo que a prefaciasse, ao que objectei, que um trabalho fundado em bases seguríssimas e construído somente de documentos, não necessitava de prefácio, de apresentação ou de recomendação: bastava aparecer.

Não se conformou e acabou por conseguir que eu ffizesse um rápido estudo sôbre os Títulos de Queluz e assim ffigura o meu nome na sua obra.

Alguns elementos consegui sôbre os referidos Títulos, que poderão servir para quem maior desenvolvimento lhe queria dar ou os queira completar, principalmente sôbre o célebre Barão, Visconde e Conde de Queluz, Antônio Bartolomeu Pires, companheiro de El-rei o Senhor D. Miguel, e que tão discutido tem sido.

Por ordem cronológica encontrei portanto:

               João Severiano Maciel da Costa, Visconde de Queluz com grandeza por decreto de 12 de outubro de 1824, elevado a Marquês do mesmo título por decreto de 12 de outubro de 1826.

               Antônio Bartolomeu Pires, Barão de Queluz por carta de 2 de maio de 1828, elevado a Visconde do mesmo título por carta de 20 de janeiro de 1829 e mais tarde, segundo reza a tradição, elevado a Conde ainda do mesmo título quando do seu casamento em 24 de julho de 1854 com a Princesa Malvina de Loewenstein Werlbein Frendenberg.

              João Tavares Maciel da Costa, Barão de Queluz por decreto de 18 de outubro de 1829 elevado a Visconde com grandeza do mesmo título por decreto de 30 de junho de 1847.

             Joaquim Lourenço Baeta Neves, Barão de Queluz, por decreto de 24 de maio de 1873.

Ora de facto, alguns dêstes titulares não deveriam aqui ffigurar por serem brasileiros e a única razão porque aquí inclúo, é porque se não foram todos portugueses, foram ffilhos ou netos de portugueses.

É natural, mesmo, que apenas Antônio Bartolomeu Pires seja o único titular de Queluz, povoação da freguesia de Belas e do concelho de Sintra. Ainda próximo a esta povoação, existia Queluz de Baixo na freguesia de Barcarena e concelho de Oeiras.

Os outros titulares de Queluz, João Severiano Maciel da Costa, seu filho João Tavares Maciel da Costa e Joaquim Lourenço Baeta Neves, são brasileiros e foram agraciados com os respectivos títulos em 1824, 1829 e 1873, quando o Brasil já não era português pois que se tornou independente em 7 de setembro de 1822.

No Brasil há a vila de Queluz no Estado de São Paulo próximo da cidade de Areias e a cidade de Queluz no estado de Minas Gerais.

Foram portanto estes títulos dados no Brasil referentes a estas terras”.

 

Fonte: História do Palácio Nacional de Queluz.

Affonso de Dornellas. Imprensa da Universidade de Coimbra - 1924.

 

OUTRAS FONTES

No tempo de Dom Afonso IV já existia Queluz, porque no Archivo Histórico Portuguez, vol III, 1905,vem uma sentença que diz haver um cazal e herdades de pão em “queyluz”.

 

         “...Queluz é hoje uma povoação importante e notável pelo sumptuoso Palácio e Quinta.

          O Palácio, é um composto de corpos irregulares nas formas e na altura, uns recuando, outros ressaltando. Quem o contemple, quer da parte da estrada, quer dos jardins, facilmente reconhecerá as transformações que sofreu. A falta de harmonia no exterior e defeitos no interior são compensadas com a beleza das suas salas, com a profusão de esculturas, de grandioso desenho e bela execução, variando de gôsto em cada sala.

          Queluz é hoje muito povoado por uma sociedade distinta, muito freqüentado e concorrido no verão. Possui óptimas edificações, lindas vivendas e variados estabelecimentos.

          É sede do Grupo de Artilharia a Cavalo e da Escola Pátria de Agricultura, instalados em dependências do Histórico Palácio, respectivamente, na Antiga Casa das Guardas e nas dependências da Rainha D.Maria I.

         Queluz, que hoje é servido pela linha férrea e por estradas que ligam à cidade Sintra a Belas, estava antigamente ligado a estes mesmos pontos por péssimos caminhos, que seguiam pela Porcalhota a Lisboa e por atalhos a Queluz.

         Não havia meios de comunicação, e foi o Príncipe Regente quem mandou construir uma estrada que vai da Ajuda e abriu caminhos para Caxias, Sintra e Belas, estradas estas que ainda hoje existem.

         Queluz celebrizou-se desde 1794 até 1807, durante a invasão francesa, e de 1821 a 1834.”

 

ORIGEM DO NOME “QUELUZ” (EM PORTUGAL):

         José Maria dos Anjos, Almoxarife do Palácio de Queluz, em 7 de novembro de 1849, diz:

“...que não existindo documentos alguns sobre a origem do nome Queluz,  serve-se de notícias vagas que alguns homens antigos transmitiram a outros, e dahi até ao seu antecessor, que lhe ouviu dizer: andando um Príncipe Nosso (não sabia o nome) nem ffilho de que rei era , à caça, junto da serra de Cintra, e que sobrevindo uma grande trovoada, procurou um abrigo por aqueles sitios, que terminando esta já de noite, e estando muito escuro se perdera no caminho de que devia seguir acompanhado por alguns criados, que divagando assim parte na noite chegaram a um ponto donde avistaram uma luz (que se presume ser onde hoje esta o lugar de Massamé).

_Onde será aquela Luz?

_Em algum cazal, lhe responderam.

_Pois sigamos até lá.

O que assim ffizeram por entre o mato que então havia, e vieram parar a uma Ermida dedicada à Conceição de Nossa Senhora, onde conheceram que a luz que avistaram era da lâmpada colocada quasi junto a uma janelinha que havia na frente da mesma Ermida; que d’ali se dirigiram a um cazal, que estava a pequena distância, que era onde hoje é a Abegoaria, é que o Lavrador os conduzira ao Caminho que deviam seguir a Lisboa; deste acontecimento vem a origem do nome – Queluz”

 

         Notas: Cazal – Conjunto de casas.

              Antes da família real ir para o Brasil, dizia-se Quêluz e só depois do seu regresso se principiou dizendo Quéluz.